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A pequena Isa
Afastada do centro e isolada da vizinhança, a casa inacabada, os dois irmãos mais novos, os assuntos de adultos e os diversos brinquedos improvisados espalhados pelo quintal não pareciam cativar a pequena menina.
De pele clara e cabelos encaracolados, usava com alegria seu vestidinho feito de retalhos com suaves bordados, modesto presente do seu oitavo aniversário.
A pequena Isa cultivara o hábito diário de distanciar-se dos cuidados maternos, aventurando-se em incursões por aquele paraíso natural. Um dia sim e outro também, subia a irresistível colina, apesar da dificuldade provocada pelo tropeço dos seus pés escorregadios, molhados pelo contato da relva banhada pelo orvalho noturno.
Levava consigo o desejo de conhecer coisas novas, andar, andar, ver e observar tudo ao seu redor. Já que tinha liberdade para isto, sua vida era dedicada a percorrer e explorar o vale, ficando a cada investida ainda mais surpreendida com a beleza que solitariamente testemunhava.
Da parte alta, virou-se para trás e observou com espanto sua casa que, daquela distância, mais se assemelhava aos desinteressantes brinquedos de madeira de seus irmãos.
Atenta a tudo ao redor, com seus lindos olhos, contemplou o cenário com que a natureza privilegiara aquele local. Respirou o aroma das diversas flores e, minuciosamente, percorreu com o olhar toda a extensão coberta pelo imenso verde.
Sentia-se amparada e protegida pela fidelíssima guarda das enormes árvores. Fascinava-lhe perceber o Sol, com toda sua majestade em seu matutino despertar, espreguiçar-se por entre as enormes copas das seculares árvores.
Brincando com o reflexo do sol que batia ligeiramente sobre sua pele, seguia extravasando sua alegria, cantarolando uma de suas canções favoritas, aprendida com a mãe, enquanto bailava ao próprio som. Seu pequeno corpo parecia perdido diante da imensidão da paisagem e, por descuido, tropeçou numa pequena planta baixa. Desceu deslizando com o bumbum pela relva, parando logo à frente, achando graça da agradável sensação provocada pelo improvisado escorrego.
De pé, percebeu que, por trás, seu vestido estava molhado o suficiente para fazê-la preocupar-se com uma rigorosa advertência materna. Mas diante daquele majestoso cenário, quem poderia cumprir as recomendações de mãe quanto a certos cuidados?
Saltitando, descalça, desceu a colina e logo se viu deitada próximo ao improvisado lago. Adornado por certas plantas aquáticas, sua água cristalina tornava-se uma parada obrigatória para as aves que ali reabasteciam o fôlego para a continuação dos seus prolongados voos. Dali podia-se ouvir o som que a queda d’água produzia ao se esparramar por toda a retenção.
De bruços, com suas mãozinhas sobre o queixo, a pequena Isa permaneceu ali por horas e horas, olhando com profunda admiração para o que considerava um lago. E, mesmo que ele não tivesse todas as características exigidas por certos e chatos adultos, ela já havia decidido: seu lago era um lago e pronto!
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