A Criança Adormecida

Com o lançamento de "A menina que admirava o lago", intento resgatar parte da criança que trazemos no nosso interior e que, diante da atribulada vida diária, costumamos deixar de lado, relegando-a ao involuntário abandono.
Conhecemos adultos que parecem viver suas vidas como eternas crianças e temos testemunhado crianças que diariamente tornam-se órfãs da infância por assumirem precocemente a responsabilidade característica dos adultos, por absoluta necessidade de sobrevivência, vendo-se privadas do melhor período de sua existência.
Não nos custa sonhar com o dia em que crianças de todo canto e recanto do mundo possam se preocupar exclusivamente em viver, desfrutando do direito de sonhar e brincar como crianças, sem que sejam forçadas a trocar brincadeiras por trabalhos, brinquedos por ferramentas.
E que, quando adultas e a beleza da ingenuidade as abandonar, diante da não tão bela realidade do cotidiano, consigam alcançar com consciência a plenitude da maturidade, sem jamais abdicarem da necessária sensibilidade, encontrada na incomparável fase dos sonhos e das fantasias infantis.
Com o desejo de que a leitura deste livro o leve ao resgate da sua criança interna, camuflada e adormecida.
NelRay – maio de 1998
(Texto de introdução do livro)



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